Díli –ISFIT, através do Senado Académico, realizou um seminário nacional sob o tema “ECOSOFIA: ESPERANÇA NA MÃE TERRA FERIDA”. O evento ocorreu no Salão São Pedro e São Paulo, em Fatumeta, Díli, com o objetivo central de aprofundar o conhecimento dos estudantes sobre Filosofia e Ecossistema.
Na sessão de abertura, o Reitor do ISFIT sublinhou que a realização do seminário foi uma forma de comemorar o aniversário da publicação da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco.
O Reitor destacou a importância de integrar a ecologia na formação, afirmando que a “formação para a escola católica tem de se tornar uma vida ecológica e formar a consciência para considerar a ecologia como identidade cristã”. Segundo ele, a Eco-ação que em ana da Eucaristia, manifestada no cuidado com o ambiente, é o que confere valor à esperança no contexto do Jubileu da Esperança.
O seminário contou com a participação de três oradores convidados, cada um apresentando uma perspetiva distinta sobre a Ecossófia e a crise ecológica:
1. Pe. Luís Gouveia Leite: A Crise Antropocêntrica
Na sua primeira apresentação, o Pe. Luís Gouveia Leite abordou a “Filosofia na parte ética”, focando-se na relação do ser humano com as plantas e todos os seres vivos. O sacerdote identificou a crise ecológica de hoje como um resultado direto do interesse económico e da visão antropocêntrica. O Pe. Luís enfatizou que o ambiente nos fornece plantas, alimentos, medicamentos e inúmeros outros recursos, tornando claro que a vida humana depende intrinsecamente das plantas.
2. Sr. Eugénio Lemos: O Conceito de “Plantar Água”O ativista ambiental Sr. Eugénio Lemos introduziu o “Conceito de plantar água”, que consiste em conservar a água para que esta possa infiltrar-se no solo e nutrir as plantas, garantindo o seu crescimento contínuo.
O ativista alertou que o crescimento populacional também contribui para a degradação ecológica. Ele criticou o facto de, muitas vezes, as pessoas plantarem árvores visando apenas o lucro económico, ignorando o papel vital dessas plantas na conservação da água e do solo, além de servirem como habitat natural.
3. Sr. Fernandinho Noronha: Sustentabilidade e o Problema do Lixo
O Sr. Fernandinho Noronha recorreu a uma “Analogia ligada à criação do Mundo (Cfr. Génesis)”, reforçando que tudo o que Deus criou era bom. O desequilíbrio, segundo ele, começou quando o ser humano iniciou a sua intervenção. Embora os resíduos existissem, o problema desenvolveu-se com a intervenção humana.
Ele definiu Sustentabilidade como a utilização de material presente para sustentar a vida no presente, e destacou que os processos naturais se encontram sempre em balanço.
Ao abordar a definição e caracterização do Lixo, alertou que para resolver este problema é necessária uma abordagem intersetorial, envolvendo diversos setores. Ele sublinhou que a simples ação de comprar inicia o problema do lixo. Os principais fatores condicionantes da produção e composição do lixo são demográficos e económicos.
O seminário nacional contou com uma ampla participação, incluindo convidados de diversas instituições e centros de formação de Timor-Leste, além de funcionários e estudantes do ISFIT. ( Media ISFIT)