Exmo. Professor Doutor, Padre Justino Tanec, MagnĆ­fico Reitor do ISFIT,

Exmo. Senhor Frei Domingos Xavier, SecretƔrio do Reitor,

Exmo. Senhor Longuinhos Dos Santos, Ministro do Ensino Superior, CiĆŖncia e Cultura,

Exmo. Senhor Presidente da Comissão Organizadora, Rev. Padre João Guterres,

Senado e Departamentos do ISFIT,

Distintas Convidadas e Distintos Convidados,

Senhoras e Senhores,

Caros Graduados e Estudantes!

Em primeiro Lugar, agradeço a honra de ter sido convidado para vir, aqui, participar nesta magnífica cerimómia.

Em segundo lugar, dou os meus parabéns ao Instituto, pelo seu início hÔ 13 anos atrÔs, e ter jÔ conseguido fazer a 1a graduação, em 2020, com 96 graduandose, este ano, com 102 graduandos.

Como estamos a entrar no 20o aniversÔrio da Restauração da Independência, pensei que não seria mÔ escolha voltar os olhos para o passado a fim de compreendermos as necessidades do presente e os desafios do futuro.

 

Senhoras e Senhores,

Caros Estudantes e Graduandos,

 

Fiquei devras embraƧado com o tema ā€œPro Eclesia et PĆ”triaā€, nĆ£o sabendo exatamente o que Ć© que eu poderia transmitir aos Snhores. Depois devĆ”rio dias, iniciei a elaborar algum pensamento que me permitisse comunicar algo que vos interessasse.

O que eu gostaria de vos transmitir relaciona-se com a história, onde poderemos ver o papel da Igrejano estabelecimento de uma PÔtria, que se chama Timor-Leste.

O colonialism portuguĆŖs esteve nesta meia-ilha por mais de 500 anos. Para facilitar/ajudar aĀ  sua permanĆŖncia aqui, os Portuguese utilizaram ā€œa Cruz e a Espadaā€. A escpada significava o domĆ­nio por imposição de Guerra contra os nossos antepassados, que se revoltavam, e a cruz significava a conquista do povo, naqueles tempos muito dividido em vĆ”rios reinos, pela introdução dos valores da religiĆ£o crista.

Em 2012, fez-se o cenÔrio da última Rebelião, a qual foi dirigida por Dom Boaventura, em 1912.

Dali atĆ© aos anos da ocupação japonesa, em 1942-1945, nĆ£o havia escolas por parte da administração colonial. Era a Igreja que patrocinava algumas poucas escolas em todo o Timor e Soibada apareceu como o Centro da Educação, onde se formavam os professores, na altura chamavam-se ā€œmestreā€, que foram sendo colocados nos colĆŖgios para ensinar desde o Ensino BĆ”sico ou o ā€œABCā€, Pre-PrimĆ”rio ou a ā€œCartilhaā€ e o primĆ”rio, que ia desde a 1a Ć  4a classe.

Até aos anos de 60, o Ensino SecundÔrio era apenas o Liceu Dr. Francisco Machado, para além do SeminÔrio Menor de N. Senhora de FÔtima, em Dare. Nessas 2 instituições de nível secundÔrio, se formaram em vÔrios timorenses que foram entrando na administração colonial ou nas forças armadas portugueses.

Desses Timorenses, surgiu a lideranƧa dos anos 74 e 75, na criação de movimentos politicos para responder Ć  situação do ā€œPós-25 de abrilā€ em Portugal, que acabou com a era da ditadura e da Guerra colonial.

Nessa liderança timorense, só havia uma pessoa com curso universitÔrio-1 engenheiro de agricultura, para além de um ou outro com com curso de teologia, não se tendo ordenado. Entretanto, do SeminÔrio d Nossa Senhora de FÔtima, em Dare, foram muitos, os timorenses que optaram pela vida religiosa.

como devem estar perceber, da sociedade timorense, não havia, podia se dizer, um pensamento amplo de todo um processo que levaria à independência. E a sua principal disto tudo era que, embora acompanhando as guerras coloniais em África, não estÔvamos preparados para enfrentar, om correcão, as situações que foram aparecendo e que, obviamente, eram muito complexas.

não nego o fervor nacionalista dos Líderes timorenses da época, tendo ema conta que as revoltas ancestrais nos transmitiam essa identidades, que era a busca pela não submissão ao poder estrangeiro.

Contudo, faltava a capacidade de entender o mundo e, consequentemente, as polĆ­ticas regionais, num sentido objetivo do problema, que era essencialmente politico.

Faltou-nos a capacidade de analisar as policas que dominavam o mundo, provocando assim numa tendência, simplista e Eufórica, de que o que fizéssemos seria uma boa decisão, não tendo em conta todas as consequências negativas que podiam provir dali.

 

Senhoras e Senhores

Caros Estudantes e Graduandos!

 

Ao adopter-se uma ideologia comunista, que começou a propaganda da não existência de Deus, resultou simplesmente no recuo da confiança, que toda a Igreja depositava no processo de busca da Independência.

Para além disso, quando a ideologia Marxista tentou negar, junto da população, as raízes  culturais que cada etnia do país levava como timorense, criou também grandes divisionismos na sociedade timorense. A cultura e tradição constituem a Alma deste povo, no seu viver e no seu comprotamento.

Os primeiros anos da Guerra estavam marcados por essedivinismo profundo, provocando muitas prisões e execuções, que, a aumentar, constituíram a base da pesada derrota nos primeiros 4 anos, em 1978. Essa derrota provocou o controle de toda a população, que estava a resistir nas montanhas e que posteriormente foi alvo de massacres pelos indonésios.

A Igreja fazia esforços, através dos sacerdotes e religisoss e na medida das suas possibilidades, reduzir o sofrimento da população, acolhendo as vítimas e motivando toda a população para uma nova esperança. A enfrentar todas vicitudes e problemas, de prisões, de massacres, de desterros, de fome e de doença, a população de Timor-Leste nunca perdeu a Fé.

Em 1975, podia se dizer pouco mais de 30% da população era letrada e era batizada. Sabendo disto, os indonésio começaram a tentar islamizar a população, para garantir  integração na Indonésia.

ā€œPro Eclesia et Patriaā€- Aplica-se profundamente nesta situação em que o povo teve que escolher entre ser muƧulmano e indonĆ©sia o ser cristĆ£o e independente. Registou-se assim uma corrida Ć s igrejas, em todo o território, e a população timorense foi recebendo o batismo, como sinal de recusa de outra religiĆ£o e como sinal de afirmação da continuação da Luta por Uma PĆ”tria.

Muito são os exemplos de participação corajosa de Padres e Religiosas, na Luta de Libertação de uma PÔtria, onde a Fé crista mantivesse viva a tradição de crença dos antepassados.

O Pe. Luigi Prieto e o Pe. Afonso Nacher estiveram envolvidos na preparação do encontro com o D. Martinho Lopes, em Mehara, numa situação muito especial de o encontro ter sido sob a seguranƧa do ā€œKopassusā€ (Comando Especial Militar IndonĆ©sio).

O Pe. Locatelli, justamente como Sr. Aleixo Ximenes, foi de uma cooperação exemplar durante o período de cessar-fogo, em 1983.

O Pe. MagalhĆ£es, juntamente como Pe. JoĆ£o de Deus, foram magnĆ­ficos na participação com a organização clandestine, sobretudo nas suas relaƧƵes com os elementos das ā€œcaixasā€, sempre prontos a levar as mensagens para Dili a fim de serem enviados ao exterior.

O Pe. Sancho que, corasojamente, me levou de Dili a Ossú, de carro, a fim de me encontrar com os quadros guerrilheiros em Builó. O Pe. MÔrio Belo que nunca recusou em me levar, por vÔrias vezes, a Ermera que me permitiu decider sobre uma nova zona de guerrils, naquela região.

Havia também, em Fuiloro,  Filipinos, o Pe. Palomo e o Pe. Rolando, e um indiano, o Pe. Valtaparambil, que estavam a comunicação com os guerrilheiros.

A mensĆ£o que eu fiz de padre esrangeiros (italianos, portugueses, espanhol, Filipinos e indianos) foi para comprovar as suas atividades ā€œPro Eclesiaā€, que deram uma base segura como motivação moral aos timorenses nas suas aƧƵes ā€œPro Patriaā€.

Assim tambĆ©m ā€˜e um dever recorder o D. Carlos Ximene Belo que, meracidamente, recebeu o PrĆ©mio Nobel da Paz, como confirmação do ā€œProEclesia et Patriaā€!

 

Senhoras e Senhores,

CarĆ­ssimos Graduandos e Estudantes,

 

Aqui, queros deixar as minhas Ćŗltimas palavras a Vós, Estudantes e Graduandos. Acabar os estudos, receber um degrau… Ć© bom, Ć© consolador! Mas nĆ£o chega!

A escolar da vida ensina-nos que qualquer processo se transforma e nunca é jÔ definitivamente permanente. Qualquer processo, desde a própria ciência que progride em técnicas e conhecimentos novos, quer natural, desde o embrião a tornar-se plantas ou Ôrvores, ao social pela mudança de mentalidades  do carÔcter e comportamento das pessoas e da sociedade.

Nunca tive a oportunidade de aprender a filosofia. Esforcei-me, pelos desafios que eu enfrentei,a compreender a FIlosofia da Vida.

Para explicar a filosofia da vida, tentei compreender a dialética que estava na base da explicação dos factos, dos avanços e dos retocessos e da própria estagnação.

A perceber primeiramente as causas, jĆ” com certa objetividade se faz uma an’alise e se buscam os argumentos, para demostrar o racioc’inio que orienta uma anĆ”lise objetiva e a lógica mais mais certa das conclusƵes.

Quando nĆ£o utilizarmos estes instrumentos de raciocĆ­nio e de lógica, o nosso pensamento Ć© vazio de objetividade e tudo quano dizemos ā€˜e subjetivista, porque Ć© superficial.

Para que um pensamento seja profunda, é absolutamente necessÔrio ver o lado mau e o lado bom das questõ, ver os prós e os contra nos argumentos que delineamos, para assim percebemos as causa dos retrocessos e assim também busacmos as bases de correção.

Disse hoje, carĆ­ssimos Alunos e Graduandos, que acabar um curso, Ć© consolador para vocĆŖs mesmo e para a vossa famĆ­lia!

Mas nĆ£o chega… porque o saber nĆ£o ocupa lugar! isto significa Ć© preciso aprender mais e sempre…

Os cursos, por sis ó não fornecem odo o conhcimento que desejamos. Mas o curso que tiramos dÔ-nos a base necessÔria para adquirir, por nós próprios, mais conhecimentos, permitindo ao nosso pensamento, maiores voos na anÔlise das realidade e na compreensão dos diversos problemas, pela aquisição de melhores conhecimentos para lidar com a vida.

Assim, eu recomedo a vós todos, que criem, em cada um de vós, acultura pela leitura e discussão com os colegas, com os seniors, na procura de compreender o que se estÔ lendo, o que estÔ aprendendo.

Ɖ exatamente importante a todos lembrarem sempre: ā€œToda a teoria Ć© correta, mas a melhor Ć© a Teoria qu se pode aplicar a uma Realidade Concreta!ā€.

E esta teoria, que se pode aplicar a uma realidade concreta, é a teoria que nós próprios formulamos para pode attender às realidades não são iguais em desafios e em problemas e nos seus variados aspetos.

 

CarĆ­ssimos Estudantes

 

Hoje também mencionei a sociedade nos seus comportamentos e isso tudo advém de carÔcter de cada indivíduo, de cada cidadão.

Saídos deste Instituto de formação académica com caracter religiosos, vós, os alunos deste Instituto devem ser os atores de mudança na mentalidade da sociedade timorense e no carÔcter da Juventude de Timor-Leste.

Existem sob um decontrolo absurdo um grande nĆŗmero de Artes Marciais, que contrariamente Ć  sua natureza de Arte a Juventude, que se confronta estragando assim a sua imagem.

Pior ainda, aparecerma grupos que estão a desvirtuar a mentalidade dos jovens, obrigando-os a fazer juramentos para poderem assegurar algum bnefícios nas suas vidas. Perdeu-se a individualidade de decisão e os jovens estão como que obrigados a vender a sua personalidade para poderem ter dinheiro.

Estas prÔticas criam o egoism pelo gusto do bem-estar pessoal, o individualism pela obsessão de ver defender os interesses de um grupo em detriment dos ineresses da maioria.

Aprendam a ser humildes, aprendam a servir o próximo, aprendam a respeitar as pessoas e a criar harmonia e cooperação nas vossas relações com outros jovens, aprendam a garantir estabilidade nas comunidades em que vivem, aprendam a ser exemplos de convivência pacífica na sociedade.

A Paz não é penas ausência de conflitos-a Paz é também a situação de harmonia que uma comunidade ou uma sociedade alimenta nas suas relações do dia-a-dia.

Deveis ser os Verdadeiro Atores na mudança desta mentalidade de submissão ao bem-estar superficial, em detriment da garantia de identificação como um timorense, com fé em Deus e pronto a servir a PÔtria.

 

Dili, 29 de abril de 2022

Kay Rala Xanana Gusmão (Líder Nancional)

MƩdia-ISFIT adapta do texto original!

JĆŗlio de Jesus

Foto: Toninho

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