Silawan, 18 de Novembro de 2025 — A comunidade de Silawan participou num seminário significativo focado na promoção dos valores de Comunicação e Comunhão Cultural no Espírito de In Illo Uno Unum (N’Aquele Único Um) na região fronteiriça entre a República da Indonésia (RI) e a República Democrática de Timor-Leste (RDTL). O evento, realizado na capela de Silawan, foi organizado em colaboração pelos estudantes do ISFIT e da UNWIRA, como parte da sua investigação internacional sobre a dinâmica da fronteira nas áreas de Atapupu e Batugadé.
O seminário foi conduzido por dois oradores principais: Romo Oktovianus Yudha Pramana, Pr., S.Fil., M.Fil., e o Professor Serilio Verdial M. Borges, S. Fil., M.Psi. As suas apresentações ofereceram reflexões académicas profundas sobre cultura, identidade, língua e o significado filosófico da fronteira no contexto sociopolítico de Timor-Leste e da Indonésia.
Romo Yudha esclareceu que as fronteiras fazem parte da vida quotidiana, existindo em vários níveis: familiar, profissional, moral e, finalmente, político, que define as relações entre nações.
Ele desafiou a comunidade a ver a fronteira não apenas como uma “linha de diferença” que pode criar adversários, mas sim como uma ponte que conduz à reconciliação, ao diálogo e à paz.
Ligando o tema In Illo Unum à realidade de Silawan, ele afirmou que, embora as pessoas possam diferir em aldeia, cultura, etnia ou história, essa diversidade não deve destruir a unidade. O princípio de “Daquele Único Um, tornamo-nos um” sugere que a diversidade pode fortalecer a fraternidade, em vez de gerar inimizade.
Romo Yudha enfatizou que a identidade de um indivíduo está enraizada na sua história vivida, não em documentos legais. Por isso, os pais têm a responsabilidade de continuar a transmitir a história cultural aos seus filhos para preservar a sua originalidade.
O Professor Serilio Verdial M. Borges ofereceu uma perspetiva sobre a língua como um organismo vivo que muda e se adapta ao longo do tempo. Ele alertou que, se uma sociedade não valorizar uma língua, a sua essência original pode perder-se.
Sublinhou que nas áreas de Atapupu e Batugadé, embora a política tenha estabelecido uma fronteira, a fronteira linguística não é forte, pois as duas comunidades partilham o Tétum como uma língua comum.
Apesar da existência de várias línguas locais, o Tétum e o Bahasa Indonésio dão a ambas as comunidades o sentimento de serem “uma só pessoa”.
O seminário teve um impacto significativo, proporcionando à comunidade de Silawan uma compreensão mais profunda da sua própria identidade. As discussões dos oradores deixaram claro que:
A fronteira política não precisa de separar o povo.
A diferença é uma parte natural da vida, não uma ameaça à unidade, ponte do diálogo é o caminho para criar a fraternidade.
A comunidade recebeu também a mensagem poderosa de que a reconciliação não é apenas encerrar um conflito, mas sim uma oportunidade para reafirmar que, apesar das muitas diferenças, a vida deve ser vivida como irmãos, marcada pelo cuidado, pelo amor e pela solidariedade. ( Grupu “Pengabdian Budaya”)